terça-feira, 15 de fevereiro de 2005, by Fabricio S.

Se você for religioso ou algo do tipo, nem perca seu tempo lendo esse texto ou me xingando nos comentários. Bem, vamos ao que interessa...

Texto Non-Sense n° 777


Foi em uma pequena cidade ao sul do hemisfério, mais precisamente no sudeste da Colômbia, que Moisés de Nazaré foi parar. Lá parou e lá começou a cheirar o precioso pó. Passava noites e dias maravilhado com a estranha sensação de orgasmo mental produzida pela substância fornecida pelo padre da pequena igreja daquela colina inóspita.
O padre, uma figura um tanto quanto tosca com sua barba suja e fedorenta, passava suas tardes bebendo iogurte e comendo polenguinho, o pasteurizado dos deuses. E foi assim, degustando, que o religioso conheceu Moisés de Nazaré, um ateu que chegou entrando na igreja e satirizando as figuras sacras. Enputecido com o fato, o padre respondeu-o:
- Quem você pensa que é para ofender as artes do Senhor?
- Que Senhor?
- O Senhor todo poderoso, rei dos Céus e da Terra! – empolga-se o padre.
- Rei do céu é síndico de prédio alto, pra mim isso aí é tudo cimento!
- Que blasfêmia! O que queres aqui, mensageiro dos incrédulos?
- Eu tenho fome, e não será na Igreja que me negarão comida!
Esta frase mudou para sempre a vida de Moisés de Nazaré, que recebeu do padre a Hóstia Sagrada, já que o iogurte e o polenguinho acabaram.
Insaciável, Moisés de Nazaré encheu a pança de hóstias, e o padre apenas olhavava, na esperança de que o Corpo de Cristo pudesse colocar um pouco de decência na vida do incrédulo esfomeado. Mas algo estranho começou a suceder: Moisés estava como que possuído por uma intensa vontade de dançar. Descontrolado, subiu no altar e começou a dançar na boquinha do cálice sagrado, o que fez o padre da barba asquerosa enfurecer-se e derrubá-lo no chão. Quem pensa que a queda ia fazer com que recobrasse o juízo enganou-se profundamente. Moisés começou a lamber o sangue que saia do corte de sua cabeça, e gritou impropérios contra sua própria mãe, que nem viva mais estava. Cansado de tanta insurreição, o padre puxou Moisés pelos cabelos e jogou-o na calçada, desmaiado. Um cidadão em alto grau etílico que por ali passava achou estranho um sujeito sangrando e com a boca cheia de hóstias sendo arremessado aos ratos que habitavam a calçada nauseabunda. Preocupado, tentou iniciar um diálogo com o padre:
- Santo Homem! O que estás a fazer? – disse o bêbado, soluçando e arrotando.
- Este sujeito está com o Demônio no corpo! Quanto mais hóstias come, mais louco fica!
- E essa é a atitude correta? Não creio que seja... hic.
- Ora, cale essa maldita boca baforenta de cachaça e me ajude a segurá-lo.
Nisso, Moisés murmurava:
- Que beleza, que maravilha, que hóstia libertadora!
Passadas quatro longas horas, Moisés dormia, e o padre pensava aflito nos fatos ocorridos, sem entender porra nenhuma. Cansado de tanto pensar, o padre resolveu ir até a cozinha da Igreja para tomar uma birita mineira. E lá chegando, tudo ficou claro em sua cabeça: ao olhar para o móvel onde eram feitas as hóstias, viu o seu saco com o pó branco do Capeta vazio, e o de trigo lotado até a boca. Finalmente a resposta do quebra-cabeças! O retardado do coroinha havia trocado os sacos, criando hóstias de cocaína. A hora da missa estava próxima, e não haveria tempo de fabricar novos Corpos de Cristo.
Após três xícaras de caninha Curió, o aditivo da vida, o padre chegou a conclusão de que apenas uma hóstia para cada fiel não causaria problemas como o de Moisés, e nem viciaria as pessoas que, através do Pão Sagrado, buscavam se aproximar do Senhor. Nesse meio tempo, Moisés despertou.
Durante a missa, em um minuto de silêncio dedicado aos presuntos, um grande estrondo perturbou a paz: jogando-se contra a porta da Igreja, Moisés entrou cambaleando adentro da casa sagrada, e começou a gritar:
- Aleluia! Aleluia! Eu conversei com o Senhor!
O padre, desesperado, desceu do altar e foi correndo em direção ao causador da confusão, quando tropeçou no guarda-chuva de uma velha varizenta, caiu e teve uma fratura exposta no fêmur. Impossibilitado de andar, pode apenas ouvir Moisés de Nazaré profetizando:
- Esta hóstia é santa! Comam-na!
Os fiéis ali presentes, mesmo sem entender, comiam as hóstias oferecidas por Moisés, todas que era capazes de engolir, afinal, era de graça. E com isso, as pessoas começavam a ficar transtornadas, com uma incrível vontade de cantar e dançar; até mesmo o padre, que engoliu algumas hóstias, ficou apoderado pelo pozinho da hóstia, e entrou na festa. O que era para ser uma simples missa de Domingo acabou virando uma Rave religiosa.
O fato logo repercutiu-se por toda a cidadezinha, e semanas mais tarde, o povo, completamente alucinado e frenético graças ao poder das hóstias, elegeu Moisés de Nazaré como o novo Messias, o dono da Verdade Absoluta. Com o poder à ele conferido, ordenou seus súditos que queimassem o antigo padre na fogueira, já que este recobrara a lucidez e não queria dar a receita das hóstias tentadoras, que estavam extinguindo-se.
A medida que a hora de sua morte se aproximava, o ex-padre sentia a maior vontade de dizer a receita para que sua simplória vida fosse poupada. Foi quando, no último minuto de pressão, ele borrou-se medo e revelou:
- É coca! É coca!
A multidão enlouquecida ficou estupefata com a relevação. Murmúrios eram ouvidos por todos os lados:
- Uma graça! Um novo Aeon! – gritavam alguns lunáticos.
- Não pode ser, isto é impossível! – gritavam os conservadores.
E assim a desordem tomou conta da população, e todos correram até os mercados para, equivocados, comprarem e/ou roubarem Coca-Cola. Encheram o estômago com o “refrigerante do mal”, que não surtiu efeito algum. O padre, como já estava na merda, gritou:
- Cambada de energúmenos, idiotas! É coca, cocaína, o pó branco do capeta!
Enraivecidos com o antigo sacerdote, começaram a enfiar o cassete no padre e, quando ele estava quase morrendo, um estouro se ouviu, juntamente com uma voz Surround:
- Parem, aqui é Deus!
A voz fez tremer todos os presentes. E quando todos congelaram-se de medo, a voz misteriosa continuou:
- Seus súditos de merda! Lugar pequeno é uma desgraça mesmo, qualquer coisinha vira um rebu! Não sei pra que fui dar inteligência pra esta corja de fracassados!
E o que ninguém sabia é que a voz era de Moisés de Nazaré que, espertamente, utilizou os poderosos alto-falantes da igreja para auto denominar-se o Senhor Todo Poderoso.
O plano funcionava perfeitamente, todos estavam hipnotizados com aquela imponente voz. Mas um acontecimento fez Moisés, o ex-ateu promovido a Deus, perder a apoteose: fendas se abriram da terra, um cheiro sulfuroso emanou pelo ar, e em um instante a besta vermelha estava a encarar “Deus”, que tremeu na base e acabou fazendo um cocozinho em sua cueca branca devido ao susto. E então, com uma voz DOLBY Surround, o capeta gritou:
- Então você é Deus?! Fiquei um tempão escondido por causa disso?! Você mais parece um chimpanzé!
Revoltado com o insulto, “Deus” respondeu:
- Qual é, ô Chifrudo! Volta pro Inferno que é o teu lugar, mano! Agora que eu ia ganhar uma graninha...
- Graninha? Hmmm, interessante. Tudo bem, não vou atrapalhar seu plano. Mas eu quero uma comissão.
- Ok, 10% e não se fala mais nisso!
- O quê?! Por menos de 50% eu não converso!
- Ah, então volta pro Inferno e não me amola, camarada!
- Voltar? Ótimo, eu volto, mas vou levar metade desses fiéis comigo, o Inferno tá precisando de lenha.
- Ah, num fode, Capeta!
E tão rápido quanto surgiu, o demônio desapareceu, levando metade da população da pequena cidadezinha, que agora era constituída apenas de crianças e do padre, que incrivelmente ainda estava vivo.
Agora Moisés de Nazaré teria que mudar suas estratégias de marketing para conseguir vender o pó para as criancinhas, e então teve uma idéia genial: criou o Ronald McDonald do Inferno, que vendia as hóstias dentro de pães com catchup, e que enfiava o cassete nas pobres criaturas que não ousassem comer o “Corpo de Cristo modificado”, agora chamado de McHóstia Feliz. Mesmo sendo onisciente, onipotente e onipresente, pelo menos na teoria, “Deus” não daria conta do serviço, e então convidou o ex-padre para ajudá-lo com o plano, afinal, este era suficientemente feio para ser o garoto propaganda ideal. Posto o plano em prática, criou-se então uma nova tendência religiosa, a “Ordem dos Chincheiros em Cristo”, na qual tudo era permitido: pedofilia, sexo entre irmãos, fumar folha de bananeira, auto-flagelo, roubos, e até mesmo campeonatos de peido. E foi num desses campeonatos que tudo veio abaixo: a “Unidos do Ovo”, a maior escola de desfile de peido da cidade, estava apresentando-se juntamente com a Banda Peidoral, quando uma criança foi acender um baseado e causou uma gigantesca explosão, matando todos aqueles que vieram do pó, e ao pó retornaram.


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Nenhuma mongolice! Que derrota!