Comecei bem a semana. Ontem matei a última aula da faculdade e fui com uma galera pra um boteco "pé-sujo". Garanto que foi bem melhor que assistir a já tradicional e monótona aula de gerenciamento de vendas. Mesmo não tendo enchido a cara, descobri que pessoas em alto grau etílico desenvolvem uma puta capacidade de contar piadas de humor negro, meu tema favorito. Fiquei roxo de tanto rir, com piadinhas clássicas do tipo "Por que Papai Noel não passa na Somália? Por que criança que não come não ganha presente" e "Dois apóstolos iam jogar bola e viram Jesus na cruz. Então falaram com ele: -Fala J.C.! Vamos bater uma bolinha? Daí Jesus: -Po gente, hoje não vou não, tou meio pregado." São momentos mágicos como esses que tanto marcam a vida dos universitários. E o melhor de tudo: não precisa encher a cara pra ficar alegre, é melhor ainda ficar sóbrio e rir da cara de bêbados como os que eu vi. Um deles conversava com uma daquelas máquinas de caça níquel na esperança de que ela pudesse deixá-lo "rico". Já o outro estava tão ruim que o celular dele tocou e ele ficou lá, dançando ao som da música, e esqueceu de atender o telefone. A noite só teria sido mais engraçada se a Igreja Evangélica que fica ali perto fizesse cultos de exorcismo às segundas-feiras, com certeza a gente botaria pilha pra um dos chapados entrar lá e dizer que estava possuído pelo capeta.
Viva aos dedicados alunos brasileiros, que hoje estudam para transformarem-se no futuro da nação!
E ainda falam que o Brasil não tem jeito... basta acreditar no nosso potencial!
Finalmente, o inferno chegou à sua vida! Agora você pode ouvir as músicas mais satânicas e sulfúricas criadas por meu amigo Maurício e eu. Chega de lenga-lenga, acessem logo o site da minha "banda virtual" e peguem as duas MP3s disponíveis do nosso single "Everything Comes From Hell":
Que foda, fui em Itaipava pra fazer um trabalho e acabei tendo uma aula! Vocês podem me chamar de maluco por gostar de ter aula num sábado de tarde, mas eu adorei! O sujeito é dono do Café dos Sábios (uma maravilhosa loja de café) e consultor de empresas. Eu fazia uma pergunta, e quem me perguntava era ele! Me deixou na saia justa diversas vezes, mas isso foi muito bom, ele mesmo falou: "É tomando na cabeça que se aprende." E é verdade. Não que eu tenha saído do escritório dele me sentindo um guru do marketing, mas que eu aprendi alguma coisa que vou levar pro resto da minha vida profissional, isso sim. E ele também ganhou com isso. Não intelectualmente, tamanha a minha ignorância frente ao tema da discussão, mas financeiramente. O desgraçado falou tanto dos variados tipos de café existentes na loja que eu fiquei com aquele tesão de tomar um cafezinho e paguei pelo orgasmo estomacal: R$ 3,20 a xícara do café de menta com creme. É, é caro pra cassete, mas pelo menos o gosto ainda tá na minha boca. E digo mais: hoje eu durmo sem escovar os dentes só pra sentir o gosto até o final! Credo... isso que é mão-de-vaca.
É tão bom acordar cedo, respirar o ar puro da manhã, chegar no trabalho, encontrar vários amigos e de repente aparece um aluno atentado que coloca uma malvina dentro de uma lixeira! Como era de se esperar, ninguém sabe quem foi o desgraçado que fez todo mundo entrar em pânico com o eco da explosão. Mas vou confessar, eu também adorava quando acontecia isso na minha época de estudante. Na hora do esporro da diretoria todo mundo tranca o forévis, mas isso acaba virando história para o resto da vida. Creio eu que fui/sou um pouco anárquico.
p.s.: Sim, o desgraçado ajeitou meu celular. O motor do vibracall estava comendo a carcaça...
Quando dizem que o barato sai caro, é verdade. Ontem eu estava passando por um conglomerado de camelôs e vi uma frente colorida pro meu celular. Fiquei todo bobo, pois nunca tinha visto capinha pro modelo do meu telefone. Dei 15 reais para o sujeito e pedi para ele encaixar. Foi aí que eu fiquei bolado. Ele foi tirando bateria, desencaixando, desaparafusando e quando vi meu celular estava todo despedaçado! Porra, se eu soubesse que o cara ia fazer um desmanche eu nem tinha mandando trocar, mas já era tarde. Após uma meia hora de operação minuciosa sob a luz oriunda de um "gato" no poste, o meu celular estava montado de novo. Na hora eu até pensei que tinha valido a pena esperar, mas essa idéia logo se foi quando cheguei em casa e resolvi testar o telefone todo. O teclado, o display e o som até que estavam direitinhos, mas e o vibracall? Maluco, quando eu ouvi o barulho até me assustei, parecia uma batedeira, sem contar que ele funcionava hora sim, hora não. Agora eu vou voltar lá na "assistência técnica portátil" para dar um esporro básico no "técnico em telefonia". E acho bom ele resolver o problema, porque senão... senão... eu vou ter que comprar um celular novo.
Pare em frente ao espelho e fique olhando. Após algum tempo, você provavelmente vai ficar se perguntando por que Deus (ou qualquer outra coisa que tenha nos criado) nos deu orelhas. É claro que seria bizarro não ter nada no lugar das orelhas. Imagine um careca sem elas... seria praticamente um ovo de codorna. Sabe-se que as orelhas fornecem emprego e sustento para milhões de pessoas, sejam elas farmacêuticos, cirurgiões plásticos, apicultores alternativos ou simples criadores de bijuteria. A verdade é que as orelhas são importantes para a globalização e cooperam com a já escassa paz mundial. Mas que são a parte mais feia do corpo, ah, isso são!
Que lutador de Street Fighter você adora?
Comédia! Plena manhã de segunda-feira, tou andando pelo centro da cidade e encontro minha amiga parada na porta de um daqueles centros de estética, que estava fechado, é claro.
-Credo Fulana, que tu tá fazendo aqui?
-Ah, é uma emergência...
Nisso, reparei que ela tava de boné, algo meio incomum. Daí ela tirou o boné e me mostrou o estrago: a irmã dela, que deve ter uns 5 anos, pegou a tesoura e mandou ver no cabelo dela enquanto ela dormia! Deu até pena dela, um lado maior que outro, todo picotado! Agora minha amiga ainda deve tar lá em pé, duvido que o salão vai abrir de manhã. É nessas horas que eu agradeço a Deus por ser filho único.
Puta merda, que semana cansativa, eu tou morto! Mudou o esquema no estágio, tou atolado até o pescoço de trabalhos da universidade, tou fazendo um estudo de casos do Sebrae, e hoje não dormi quase nada, já que tinha que sentar o popozão das 7:30h até meio-dia numa coisa que chamam de cadeira lá na faculdade. Já tou até vendo, vou dar uma voltinha de tarde pra respirar um cadinho e vou capotar de sono dez horas da noite. Semana que vem entro na academia, o que pode ser um estímulo pra me dar mais disposição no dia-a-dia, pois continuar no bagaço que tou eu não quero não. Mongolices, coisas inusitadas? Quem sabe, quando eu tiver um tempinho pra ficar a toa e observar a vida sem me preocupar com nada... atualmente tá foda.
p.s: Eu ia colocar outro teste, mas o servidor tá com problema de novo... amanhã eu tento.
Uma agência de talentos para a TV. O cara entra na sala de entrevista e o descobridor-de-talentos começa o questionário:
-Então, qual seu nome?
-É Paulo.
-Muito bem, Paulo. E o que você sabe fazer?
-Eu sei imitar passarinho.
Puto da vida, o dono da agência se revolta:
-O quê?! Eu, cheio de serviço pra fazer, e você vem aqui me dizer que sabe imitar passarinho?! Quem em sã consciência ficaria vendo um idiota imitando passarinho na TV?! Por acaso eu tenho cara de otário?! Ponha-se daqui pra fora!!
Desolado, o pobre Paulo aproxima-se da janela, bate os braços e sai voando.
Essa piada é foda! E inspirado nela criei este...
Paulo queria voar. E isso era um problema para sua mãe, que vivia com medo dessa obsessão doentia de seu pequeno filhote. Paulo, que era chamado pelos coleguinhas de "Pardal", comprava pipas gigantes, e ficava na expectativa de que um forte vento o levasse junto, mas isso nunca ocorreu. Frustrado por não conseguir voar, seu único consolo era assistir seu astro maior, seu ídolo, o SuperMan. Um dia Pardal assistiu o SuperMan pulando da janela, e assim o fez, caindo de cara no chão e quebrando o nariz, fato que fez sua mãe procurar um psicólogo. Ele afirmou que estes desejos intensos de realizar tarefas impossíveis são comuns entre as crianças, e que costumam desaparecer depois de uma certa fase da infância. A mãe concordou com o médico, mas mesmo assim estava com um pé atrás, pois tinha medo de Paulo fazer outra maluquice.
Meses se passaram sem que Pardal tentasse voar novamente, fato que tranqüilizou um pouco sua mãe. Mas ela estava sendo enganada. Por todo esse tempo, Paulo estava pensando em algum método eficaz para realmente sentir-se como um pássaro, e ele chegou a um veredicto: um avião. Mas não do lado de dentro, e sim amarrado numa corda presa à calda do avião. Por ser uma criança, ele não pensava nas conseqüências desastrosas que seu ato poderia levar, e por isso estava todo feliz com a resposta para a realização de seu grande sonho. Sem contar nada, ele tomou seu leitinho matinal e sua mamãe levou-o pra escola, como de costume. Então, no meio da aula, Pardal levanta a mão:
-Tia! Tia! Posso fazer cocô?
A professora não tinha como dizer não, e levou o aluno até o banheiro. Então Pardal retrucou:
-Tia, pode deixar. Eu já sei me limpar!
Com um sorriso na cara por não ter que enfiar a mão em um bumbum sujo de cocô, a professora voltou pra sala. Assim que ela fechou a porta, Paulo saiu correndo e fugiu da escola.
Já longe dos limites escolares, Pardal estica a mão para um táxi que passava. O taxista estranha o chamado de uma criança, mas mesmo assim abre a porta. Então Paulo fala:
-Moço, me leva pro aeroporto?
-Ei menino, cadê seus pais?
-Meu papai é piloto, ele tá me esperando lá!
Mesmo desconfiado, o taxista aceitou. Durante a viagem, ambos se olhavam, o taxista português com um bigode estranho parecia zangado, e o Pardal não conseguia parar de sorrir, pensando que finalmente poderia voar. Chegando no aeroporto, o taxista fala:
-Cadê seu papai? Ele precisa me pagar...
-Eu pago, vou pegar o dinheiro aqui na mochila...
E nisso, Paulo saca um spray de pimenta da mochila e dá na cara do taxista, que grita de dor e fica temporariamente cego, o tempo suficiente para o capetinha fugir. Paulo, que jamais havia ido ao aeroporto, fica fascinado com o vai-e-vem do congestionado fluxo de pessoas. Mas ele não estava ali para se maravilhar, e sim para voar. Após uma rápida inspeção, ele descobriu que teria acesso ao exterior do aeroporto pelo compartimento de cargas. Rapidamente, jogou-se no meio das malas e conseguiu chegar até o lado de fora. A essa altura, sua professora já estava preocupada se o pobre Paulo havia se afogado na água da privada, e foi até lá para conferir. Chamou, chamou e ninguém respondeu. Ela abriu a porta e viu que ninguém estava lá. Desesperada, saiu procurando por seu pequeno aluno em todas as salas do colégio, mas não o encontrou. Então a direção comunicou o desaparecimento à família, que mal sabia que o querido Pardal estava prestes a voar pelos ares, literalmente.
No hangar, Paulo percebeu que seus 1,40m de altura não seriam suficientes para amarrar a corda na calda do avião, ele teve que mudar seus planos. Então, "sabiamente", ele prendeu a corda no trem-de-pouso do avião, um Boeing 747 gigantesco. Por alguns minutos ele ficou ali escondidinho entre as rodas, até que as portas do galpão se abriram, e o avião começou a se movimentar. O coração do Pardalzinho estava acelerado, era muita emoção após muito tempo de teoria assistindo SuperMan na televisão. O Boeing entrou na pista. O som ensurdecedor das turbinas deixou Paulo extremamente excitado. À medida que o avião ganhava velocidade, Paulo tentava correr, até ao ponto que não teve mais pernas e com sorte caiu ajoelhado, já que estava usando as pesadas joelheiras que havia roubado de seu irmão mais velho. A velocidade aumentava, Paulo gritava de emoção, e as joelheiras soltavam enormes fagulhas no atrito com o asfalto. Como isto é uma história non-sense, nenhum funcionário do aeroporto percebeu que havia um menino preso na roda do avião. Enfim, a velocidade necessária para o Boeing decolar foi atingida, e ele tirou as rodas do chão. O calor gerado pelas turbinas torrou a roupa de Pardal, que não sentia calor, nem frio, apenas a adrenalina correndo solta em sua espinha. O 747 ganhou os céus, mais de 200 metros de altura, e Paulo estava realizando seu grande sonho, mas por pouco tempo. O piloto fechou o trem-de-pouso onde a corda estava presa, e então ela se arrebentou. O pobre menino despencou dos céus e sentiu-se como uma águia em queda livre. Nada ele fez, apenas sorriu e fechou os olhos. Então, só ouviu um barulho de água. Como por um milagre, o cagão caiu dentro de uma piscina. E o pior, a piscina da sua casa! Com o barulho, sua mãe, que já estava preocupada com o sumiço do filho, foi até o lado de fora da casa, e encontrou seu pequeno moleque "nadando", peladinho. Puta da vida, ela puxou o moleque pelas orelhas e deu-lhe um cassete por ter fugido da escola pra nadar em casa.
Só ontem me dei conta de uma coisa muito importante que de certo modo ajudou a reduzir o meu stress diário: TaTu sumiu das rádios, viva! Espero nunca mais ter que ouvir aquelas lésbicas frenéticas gemendo. Já me falaram até que elas se separaram, é verdade? Se for, que mudem de profissão!
Tou tentando colocar um teste novo e mudar o layout do sistema de comentários, mas tá dando um problema no servidor, assim que tudo tiver certo eu atualizo. Por enquanto, só um e-mail foda que recebi da minha amiga, a TTzuda:
Ainda hoje muitas pessoas, ao escrever o número 7, fazem-no utilizando uma barra horizontal suplementar na metade do algarismo. As tipografias o têm feito desaparecer, como se pode constatar digitando a tecla 7 no teclado do computador. Poucos sabem porque essa estranha barra tem sobrevivido até nossos dias. É preciso voltar aos tempos bíblicos, quando Moisés estava no Monte Sinai e lhe foram ditados os 10 mandamentos. Em voz alta, ele os foi dizendo à multidão, um por um. Quando chegou no sete, Moisés anunciou:
"Não desejarás a mulher do próximo".
E a multidão gritou:
"Risca o sete! Risca o sete!"
Porra, e por falar em números, eu acho q tenho alguma coisa com o número 2. Quase sempre que olho pro relógio digital de noite, são 22:22, e algumas vezes até os segundos são 22! Algumas coisas marcantes também já aconteceram em dias '22', e nunca achei algo que me explicasse essa maldita coincidência. Se alguém souber a resposta, por favor, não fale! Eu adoro perder horas pensando em alguma relação da minha vida com este maldito número.
Influenciado pela mídia, resolvi comprar aquele Garnier Fructis. Cheguei na farmácia, levantei as mãos e deixei o desgraçado me assaltar: dei R$ 7,50 num simples condicionador. Mas tudo bem, resolvi levar e experimentei o treco. Olha, realmente os cabelos ficam bem mais macios e lisos, quando acordo já não encontro mais aquele "ninho de rato" em cima da cabeça. Agora... essa porcaria tinha que ter cheiro de melão com abacate?! Ugh!
Nossa... o show do Children of Bodom foi incrível, sem palavras! Fiquei a menos de 3 metros do palco, expremido entre um monte de gente suada, mas valeu a pena, e muito! Agora se teve uma coisa que me deixou bolado foram os seguranças lá do Scala. Um deles era igual ao russo que enfrentou o Rocky Balboa, o cara era um monstro anabolizado. E um outro lá dentro que ficava de frente pro palco... quando empurravam muito a gente contra a grade, o desgraçado só abria os braços e empurrava umas 15 cabeças pra trás! Também pudera né, o braço do cara é mais grosso que a minha coxa. Ai de quem fizesse alguma gracinha lá dentro, ia apanhar mais do que toureiro em cadeira de rodas.
É amanhã, e eu vou! Showzão do Children of Bodom no Rio! Torçam pra eu voltar com vida huahuauahuahua!
"Meu amor, o que você faria se só te restasse esse dia, se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria..."
E vocês? O que fariam?
Tou meio sem cabeça pra pensar. Idéias desconexas, confusão mental, cansado, sem motivos para rir, exceto esta piadinha:
Assim que começou o velório do ex-Governador Leonel Brizola, a família e alguns íntimos se reuniram no próprio salão onde estava sendo velado o corpo para decidir onde ele seria enterrado. Um filho sugeriu:
"- Deve ser enterrado em São Borja. Afinal, é a sua cidade natal."
Um bêbado, que não se sabe como deixaram entrar no velório, disse com aquela entonação típica dos “bebuns”:
"- Em São Borja pode. Só não pode em Jerusalém!"
Como estava “de fogo”, ninguém deu bola para o que ele disse.
Um neto, então, disse:
"- Acho que deve ser em Porto Alegre, onde ele foi governador duas vezes e liderou a resistência aos golpistas de 64".
O bêbado mais uma vez interveio:
"- Em Porto Alegre pode. Só não pode em Jerusalém!"
Novamente ninguém deu ouvidos a ele. O ex-Governador Garotinho, para fazer média, finalmente sugeriu:
"- Nem em São Borja nem em Porto Alegre. Deve ser enterrado no Rio de Janeiro mesmo, onde o veneram e onde morreu".
E o bêbado novamente:
"- No Rio pode. Só não pode em Jerusalém!"
Aí, perderam a paciência com o cara:
"- Por que este medo que Brizola seja enterrado em Jerusalém? "
E o bêbado respondeu:
"- Porque uma vez enterraram um cara lá e ele ressuscitou!!!"
Amanhã pretendo dormir o dia inteiro, pra chegar logo a segunda-feira e começar uma semana um pouco melhor do que essa.
Tenho sorte de estar vivo. Ontem, 22:30hs, saí da universidade. Pra variar, uma fome do cão, mesmo que eu jante às 18hs e lanche qualquer besteira no intervalo das aulas. Mas justamente ontem não deu tempo de eu comer nada. Ainda ia demorar muito pro ônibus chegar, e meu estômago estava me comendo vivo. Olhei pra dentro daquela padaria, já fechando as portas, e entrei. Olhei pra vitrine e vi um resto de biscoito amanteigado numa bandeja. "Promoção: 100 gramas por 1 real". Cego de fome, nem questionei a qualidade daquela coisa, pedi logo dois reais de biscoito. Pra quê... comi o primeiro, o segundo, o terceiro. Lá pro décimo eu olhava pro saquinho de biscoito e meu estômago falava: "Não, não, por favor, não!" Continuei comendo, mesmo contra minha vontade, só pra matar a fome. Até uma hora que não aguentei mais. O gosto de coisa mofada tava me enojando. Como tinha bastante biscoito ainda, resolvi dar (o biscoito) pra um cachorrinho de rua que tava dormindo perto de onde eu estava. Botei o pacotinho no chão, chamei o totó, e ele veio todo feliz. Chegou no pacote, enfiou a cara, cheirou, torceu o nariz e foi embora. Caraca, nem o cachorro comeu o biscoito! Aí que eu fiquei bolado, pensando no que ocorreria comigo de madrugada. Graças a Deus não tive nenhum grande problema intestinal, e acabei pegando nojo daquela padaria. Acho que teria sido melhor se eu tivesse comido um daqueles torresmos gordurosos do boteco ao lado da padaria, pelo menos aquela porcaria tem rotatividade. Eu acho.
Cortês. Audaz. Varonil. Épico. Assim era visto Tião do Caminhão, o único açougueiro de Abricó do Agreste. Almejado pelas mulheres, respeitado pelos homens e admirado pelas crianças, que tinham o sonho de tornarem-se açougueiros assim como seu herói. E todo santo dia, antes mesmo do sol despontar no horizonte, Tião entrava em seu velho e companheiro caminhão, e ia até a fazenda de Seu Totonho, o grande criador de gado da cidade. Como de costume, juntos tomavam o café da manhã preparado pelas criadas do fazendeiro, e iam para o pasto escolher o bovino mais apropriado para o abate. Espingarda na mão, boi morto no chão. Arregaçando as mangas de seus trapos sujos, Tião pegava o boi nas costas, sozinho, e depositava-o na caçamba de seu caminhão. E voltavam para o centro da cidade, vagarosamente, já que o motor do debilitado caminhão mal dava conta do serviço. Já em seu açougue, Tião cortava a carne cuidadosamente, separando os melhores filés para as madames da região, e sustentando os cachorrinhos de rua com o que não seria aproveitado para comércio. Tião do Caminhão realmente era uma alma muito boa, pensava mais nos outros do que em si mesmo. "Se eu posso comer, respirar e ajudar ao próximo, nada mais me interessa", dizia o sensato homem.
Anos de trabalho duro e caridade passaram-se, até que um dia o caminhão de Tião não agüentou mais o tranco e deixou-o na mão. O parrudo parecia não acreditar no que acontecera. Seu eterno companheiro, presente de seu falecido e querido pai, havia batido o motor. Naquele dia, a população viu uma cena que jamais esperava ver: Tião do Caminhão, o homem mais feliz da cidade, havia chorado de tristeza. Seu Totonho, comovido com a cena a qual presenciara, ficou com muita pena do amigo, e disse que lhe daria um caminhão novo. Surpreendentemente, Tião recusou: "Obrigado, meu amigo, mas nenhum caminhão suprirá a falta de meu velho e querido companheiro. Ele não é apenas um caminhão, é um pedaço de minha vida, é a única recordação que tenho de meu falecido papai." Com lágrimas nos olhos, Seu Totonho diz que faria o que fosse necessário para recuperar o motor do caminhão. Levou-o a todos os mecânicos da cidade, mas nenhum deles achava o problema, tudo parecia estar em ordem. Inconformado, Seu Totonho colocou o caminhão em seu avião e levou-o até São Paulo, onde há alguns dos melhores especialistas em motor do país. Mas o diagnóstico era o mesmo: o motor estava em ótimas condições, e nada de o caminhão ligar. Os mecânicos ficaram inconformados, e decidiram desmontar todo o caminhão. De nada adiantou. Seu Totonho não sabia como contar a verdade para seu amigo Tião ao voltar para a cidade. Vendo a cara de desilusão do fazendeiro, um faxineiro da oficina onde estavam sendo feitos os exames aproximou-se de Seu Totonho:
-Ele não tá ligando por nada, né?
-Não... tem alguma coisa errada com o caminhão.
-E não é nada mecânico, já vi um caso assim.
-Não é mecânico? É claro que é, isto é uma máquina.
-Aí que o senhor se engana... esse caminhão tá com problema emocional.
-(Risos) Era só o que me faltava...
-Com licença, deixe-me conversar com o caminhão.
E alí ficou o faxineiro, debruçado sobre o capô do caminhão, conversando com o caminhão. Após ter ouvido o caminhão, o faxineiro subiu na caçamba do caminhão com cuidado, contou 3 passos a partir da traseira e ficou pulando. Seu Totonho ficou parado olhando pra cena, ele não podia acreditar que o retardado estava fazendo aquilo. Depois de alguns pulos, o faxineiro desce, entra na cabine, vira a chave e... milagre! Estava o caminhão funcionando, fazendo um barulho que demonstrava força e jovialidade. O fazendeiro ficou admirado:
-Nossa, está funcionando mesmo!
-Pois é doutor, eu falei que ia dar um jeito.
-E então, qual era o problema? Tinha alguma peça solta por baixo da caçamba e com os pulos ajeitou né? Eu sabia que tinha algo errado!
-Bem, num foi isso não. Acontece que o caminhão estava com dor na caçamba, e essa dor foi causada por stress e rotina.
Seu Totonho ficou olhando pra cara do faxineiro, que manteve-se sério. O rei do gado não agüentou e dobrou-se de rir. O "médico" do caminhão retrucou:
-Ok, o senhor não é o primeiro que ri de mim... e não tentarei convencê-lo de que as máquinas têm sentimentos.
O faxineiro virou as costas e foi embora. Ainda rindo, o fazendeiro lhe fez uam proposta:
-Ô "doutor"! Volta aqui! Se você é mesmo mágico, conserta esse meu relógio de pulso!
O faxineiro voltou, pegou o relógio, levou até seu ouvido e depois falou:
-Eu sei que ele é arrogante, mas ele precisa de você. Dê uma chance à ele...
E nisso o relógio voltou a funcionar. Perplexo, seu Totonho não acreditava no que presenciava. O faxineiro falou com o fazendeiro:
-Olha, é melhor o senhor parar de bater o relógio na mesa, senão ele vai fazer greve de novo.
-Meu Deus do céu! Como é que você sabe disto?!
-O relógio me contou, oras. Ele acha o senhor meio arrogante. Seja mais carinhoso com ele...
-Rapaz, isso é incrível! Um milagre! Me diga, você já tem um empresário?
-Pra que isso, moço? Eu sou só um faxineiro!
-Nada disso. Eu serei seu empresário, e a partir de hoje você será conhecido como o "Curandeiro das Máquinas".
-Deixa de conversa, doutor...
-É sério! Ande, pegue suas coisas. Nós vamos nos mudar para Abricó do Agreste. Uma grande vida o espera!
-Bom, se o senhor tá dizendo...
E ao invés de voltarem de avião, decidiram voltar no caminhão de Tião, que andava como nunca. Durante a longa viagem, o fazendeiro e o curandeiro conversaram sobre o incrível poder de entender as máquinas, que ele jurava ser de nascença. Após dias rodando na estrada sem o caminhão ter apresentado problema algum, Seu Totonho chega perto da ponte que liga a estrada à cidade de Abricó do Agreste, onde uma grande festa os aguardava. No horizonte, o fazendeiro avistou Tião, aquele gigante cheio de músculos, chorando feito uma criança ao ver que seu mais que querido caminhão havia voltado a vida. Sem poder conter sua emoção, Tião foi correndo em direção do caminhão. Muito feliz, seu Totonho avançou com o caminhão ponte adentro, mas ela acabou cedendo e o caminhão despencou de uma altura de 50 metros, matando o fazendeiro, o milagreiro e posteriormente Tião, que jogou-se em cima do caminhão e morreu com a antena do rádio encravada no peito. Mas mesmo com este final trágico, João do Caminhão e Seu Totonho são lembrados na cidade até hoje, já que os destroços de metal do caminhão foram usados para criar excelentes latas de sardinha.
Tomei volta. A Kelly, minha beagle, estava bem desanimada desde domingo. Ontem decidimos levar a bicha orelhuda na veterinária para fazer um check-up. Após a médica ter posto fucinheira (sim, minha cachorra é pequena mas é o capeta), ter apertado ela toda, ter cortado as unhas e tirado a temperatura enfiando o termômetro no fiofó dela, nada foi constatado. Então a cadela teve que fazer um hemograma. Foi aí que eu me ferrei. Na hora que começou a escorrer sangue dentro da seringa, em vez da minha cachorra desmaiar, quem ficou tonto fui eu. Quase que eu apaguei lá na veterinária, maior mico. E depois ainda tive que ajudar meu pai a pagar os oitenta reais da consulta, legal! E pra melhorar mais um cadinho minha cachorra tá com a tal “Doença do Carrapato”, tem tratamento, mas é a base de antibióticos que devem ter um precinho bem legal, né? Aff...