domingo, 26 de setembro de 2004, by Tiago

Texto non-sense nº 12345678910, PSN, Partido dos Sem-Noção!

Uéltom era seu nome. Jom era seu sobrenome. O que provavelmente faz com que seu nome completo fosse Uéltom Jom, mas isso não vem ao caso. O caso vem que Uéltom Jom era humilde, muito humilde, tão humilde que se humildade fosse água a dele afogaria uma cidade. Uéltom era um carpinteiro, fazia móveis muito bons, que todos adoravam ter. Sua pequena marcenaria ia sendo tocada com tranquilidade e prosperidade, até que num belo dia um de seus clientes, encucado com a extrema humildade do marceneiro, que fazia tudo manualmente e com um capricho imenso, o indaga:
- Seu Uéltom, o sr. por acaso não tem um computador pra lhe ajudar a fazer esses seus móveis não?
- Não sinhô, sinhô, discurpa sinhô.
- Ora, não é razão pra se desculpar, sr. Uéltom. Mas o sr. já pensou em comprar um computador?
- Me discurpa sinhô, mas eu num sei o que é cumputadô.
- Nossa! Mas o sr. deveria se incluir na era digital! As facilidades seriam enormes para a sua marcenaria!
- Muinto brigado sinhô! Sinhô deve ser dos intindidos desses cumputadô!
- Ora, ora! Não é preciso ser entendido para ser beneficiado pelo computador!
- Muinto brigado mesmo sinhô!
- Por nada!

E Uéltom, vislumbrado com a visão de qualquer coisa que pudesse lhe ajudar a melhorar seus serviços, pôs-se a poupar para comprar um computador. Logo, depois de uns meses de poupança ele já tinha dinheiro pra comprar um: foi prontamente para a loja de departamentos e arranjou um do último tipo, processador ultra-rápido que os analistas dizem quase chegar a um computador quântico, mais memória que um elefante e um HD tão vasto que dá pra se perder lá dentro. Fora o vídeo que de tão acelerado em 3D ele cria um vórtice espaço-temporal que puxa polígonos tridimensionais de uma outra dimensão pra mostrar na tela do computador, e o som que de tão bom uma música originalmente assobiada soa tocada por uma orquestra.
Maravilhado com essa parafernália que ele não fazia a mínima idéia do que era, levou pra casa, pediu pro seu sobrinho Geonédisom (que dizia entender por jogar Counter Strike o tempo todo nas lan-houses) montar o bicho, e assim que foi ligado o computador lá estava Uéltom, babando nas imagenzinhas que eram o cursor do mouse e os íconezinhos. E ficou lá babando, babando, babando... e não mexia sequer no mouse, de tamanho embasbacamento. E Geonédisom:
- Tio, mexe no mouse!
- aaaa.... Hã?
- Mexe no mouse?
- Mause o quê?
- Mouse! Essa bolinha com rabo aí em cima da mesa!

E Uéltom toca no mouse. E se apaixona pela setinha que se move pela tela. Ele mexe mais uma vez, a setinha move-se novamente, Uéltom sente quase um orgasmo ao ver que a setinha se mexia de acordo com o que ele mandava, e chacoalha o coitado do mouse pra todo o canto, só pra ver a setinha se mover pela tela. E Geonédisom grita:
- Tio, clica aí!
- Quê meu subrinho?
- Clica com o botão no ícone aí!
- Ah meu subrinho, cê tá falando bunito dinôvo! Quem dera eu intendê esses tal de japonêis!
- Dá aqui -
E Geonédisom assume o controle da máquina, e passa horas e horas tentando ensinar seu humilde tio a mexer na traquitana. Logo Uéltom já estava navegando na internet, conversando em salas de bate-papo, visitando o SouMongol e tudo o mais...
Os dias se passam, Uéltom já faz grande parte das coisas sozinho, e ele estava numa sala de bate-papo, teclando com uma mulher, Maria Joaquina, que estava encantada com sua humildade, quando ouve uma voz grave e metálica:
- Pega ela.
- Uááái!
Uéltom dá um pulo pra trás, e cai com a cadeira de costas no chão.
- Pega ela mané! Tá te dando mole!
- Quem tá falando?
- Eu, mané.
- Quem é eu?
- Eu -
e o monitor pisca - Traça ela, chama ela pra sair.
- Mas eu?
- É, tu, mané. Ó como se faz...

E o monitor assume o controle do teclado e combina dos dois se encontrarem na frente do cinema. Uéltom estava muito feliz, nunca havia tido coragem pra se encontrar com alguma mulher, pois não se achava digno. Mas lá estava Uéltom recebendo dicas do monitor do seu computador, que o ensinara a se aproximar da maneira mais eficiente, como roubar um beijo, tudo o mais. Mal podia esperar a hora, que estava marcada praquela tarde.
E chega a tarde, Uéltom sai de casa, batimentos cardíacos a mil, sorriso de orelha a orelha, cabelo engomadinho, camisa xadrez vermelha e azul, calça bege e botas marrons, um buquê de flores na mão. Chegando perto do cinema ele avista na porta a beleza cintilante de sua garota, ela o olha, os dois encantados se aproximam, ele de um lado da rua e ela do outro, paixão a primeira teclada, os dois estendem os seus braços e correm um em direção ao outro não olham o bueiro aberto e caem ambos, fraturando suas pernas e braços, abrindo feridas em suas peles, infectando-se com os dejetos do esgoto da cidade inteira e morrendo lá.
- É Geonédison, muito mané teu tio.
- Manézão. Vamo jogar mais uma partida de Soldat, monitor?
- Bóra.


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Nenhuma mongolice! Que derrota!