quarta-feira, 18 de agosto de 2004, by Fabricio Shsn

Uma agência de talentos para a TV. O cara entra na sala de entrevista e o descobridor-de-talentos começa o questionário:
-Então, qual seu nome?
-É Paulo.
-Muito bem, Paulo. E o que você sabe fazer?
-Eu sei imitar passarinho.
Puto da vida, o dono da agência se revolta:
-O quê?! Eu, cheio de serviço pra fazer, e você vem aqui me dizer que sabe imitar passarinho?! Quem em sã consciência ficaria vendo um idiota imitando passarinho na TV?! Por acaso eu tenho cara de otário?! Ponha-se daqui pra fora!!
Desolado, o pobre Paulo aproxima-se da janela, bate os braços e sai voando.


Essa piada é foda! E inspirado nela criei este...

Texto Non-Sense N° (3x + ab)³

Paulo queria voar. E isso era um problema para sua mãe, que vivia com medo dessa obsessão doentia de seu pequeno filhote. Paulo, que era chamado pelos coleguinhas de "Pardal", comprava pipas gigantes, e ficava na expectativa de que um forte vento o levasse junto, mas isso nunca ocorreu. Frustrado por não conseguir voar, seu único consolo era assistir seu astro maior, seu ídolo, o SuperMan. Um dia Pardal assistiu o SuperMan pulando da janela, e assim o fez, caindo de cara no chão e quebrando o nariz, fato que fez sua mãe procurar um psicólogo. Ele afirmou que estes desejos intensos de realizar tarefas impossíveis são comuns entre as crianças, e que costumam desaparecer depois de uma certa fase da infância. A mãe concordou com o médico, mas mesmo assim estava com um pé atrás, pois tinha medo de Paulo fazer outra maluquice.

Meses se passaram sem que Pardal tentasse voar novamente, fato que tranqüilizou um pouco sua mãe. Mas ela estava sendo enganada. Por todo esse tempo, Paulo estava pensando em algum método eficaz para realmente sentir-se como um pássaro, e ele chegou a um veredicto: um avião. Mas não do lado de dentro, e sim amarrado numa corda presa à calda do avião. Por ser uma criança, ele não pensava nas conseqüências desastrosas que seu ato poderia levar, e por isso estava todo feliz com a resposta para a realização de seu grande sonho. Sem contar nada, ele tomou seu leitinho matinal e sua mamãe levou-o pra escola, como de costume. Então, no meio da aula, Pardal levanta a mão:
-Tia! Tia! Posso fazer cocô?
A professora não tinha como dizer não, e levou o aluno até o banheiro. Então Pardal retrucou:
-Tia, pode deixar. Eu já sei me limpar!
Com um sorriso na cara por não ter que enfiar a mão em um bumbum sujo de cocô, a professora voltou pra sala. Assim que ela fechou a porta, Paulo saiu correndo e fugiu da escola.

Já longe dos limites escolares, Pardal estica a mão para um táxi que passava. O taxista estranha o chamado de uma criança, mas mesmo assim abre a porta. Então Paulo fala:
-Moço, me leva pro aeroporto?
-Ei menino, cadê seus pais?
-Meu papai é piloto, ele tá me esperando lá!
Mesmo desconfiado, o taxista aceitou. Durante a viagem, ambos se olhavam, o taxista português com um bigode estranho parecia zangado, e o Pardal não conseguia parar de sorrir, pensando que finalmente poderia voar. Chegando no aeroporto, o taxista fala:
-Cadê seu papai? Ele precisa me pagar...
-Eu pago, vou pegar o dinheiro aqui na mochila...
E nisso, Paulo saca um spray de pimenta da mochila e dá na cara do taxista, que grita de dor e fica temporariamente cego, o tempo suficiente para o capetinha fugir. Paulo, que jamais havia ido ao aeroporto, fica fascinado com o vai-e-vem do congestionado fluxo de pessoas. Mas ele não estava ali para se maravilhar, e sim para voar. Após uma rápida inspeção, ele descobriu que teria acesso ao exterior do aeroporto pelo compartimento de cargas. Rapidamente, jogou-se no meio das malas e conseguiu chegar até o lado de fora. A essa altura, sua professora já estava preocupada se o pobre Paulo havia se afogado na água da privada, e foi até lá para conferir. Chamou, chamou e ninguém respondeu. Ela abriu a porta e viu que ninguém estava lá. Desesperada, saiu procurando por seu pequeno aluno em todas as salas do colégio, mas não o encontrou. Então a direção comunicou o desaparecimento à família, que mal sabia que o querido Pardal estava prestes a voar pelos ares, literalmente.

No hangar, Paulo percebeu que seus 1,40m de altura não seriam suficientes para amarrar a corda na calda do avião, ele teve que mudar seus planos. Então, "sabiamente", ele prendeu a corda no trem-de-pouso do avião, um Boeing 747 gigantesco. Por alguns minutos ele ficou ali escondidinho entre as rodas, até que as portas do galpão se abriram, e o avião começou a se movimentar. O coração do Pardalzinho estava acelerado, era muita emoção após muito tempo de teoria assistindo SuperMan na televisão. O Boeing entrou na pista. O som ensurdecedor das turbinas deixou Paulo extremamente excitado. À medida que o avião ganhava velocidade, Paulo tentava correr, até ao ponto que não teve mais pernas e com sorte caiu ajoelhado, já que estava usando as pesadas joelheiras que havia roubado de seu irmão mais velho. A velocidade aumentava, Paulo gritava de emoção, e as joelheiras soltavam enormes fagulhas no atrito com o asfalto. Como isto é uma história non-sense, nenhum funcionário do aeroporto percebeu que havia um menino preso na roda do avião. Enfim, a velocidade necessária para o Boeing decolar foi atingida, e ele tirou as rodas do chão. O calor gerado pelas turbinas torrou a roupa de Pardal, que não sentia calor, nem frio, apenas a adrenalina correndo solta em sua espinha. O 747 ganhou os céus, mais de 200 metros de altura, e Paulo estava realizando seu grande sonho, mas por pouco tempo. O piloto fechou o trem-de-pouso onde a corda estava presa, e então ela se arrebentou. O pobre menino despencou dos céus e sentiu-se como uma águia em queda livre. Nada ele fez, apenas sorriu e fechou os olhos. Então, só ouviu um barulho de água. Como por um milagre, o cagão caiu dentro de uma piscina. E o pior, a piscina da sua casa! Com o barulho, sua mãe, que já estava preocupada com o sumiço do filho, foi até o lado de fora da casa, e encontrou seu pequeno moleque "nadando", peladinho. Puta da vida, ela puxou o moleque pelas orelhas e deu-lhe um cassete por ter fugido da escola pra nadar em casa.


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Nenhuma mongolice! Que derrota!