sábado, 1 de maio de 2004, by Fabricio Shsn


Qual é seu tipo de peido?


Texto Non-Sense N° 7 (7? Sei lá...)

Leiam a história non-sense anterior, senão essa não terá sentido algum (como se elas tivessem sentido, né...)

Marcelino era feio, muito feio. Tinha um cabelo preto e marrom, comprido e volumoso, sem brilho, com pontas quádruplas e cheiro de mofo. Mas para ele, isso era normal, o heavy metal era seu estilo de vida e não importava a opinião dos outros quanto à sua aparência. Seu guarda roupa continha apenas camisas pretas, calças rasgadas, um sobretudo velho, correntes e um par de botas de cano longo, pequenas, que dobravam seus dedos. Mas ele não se incomodava com isso, nem podia, tinha pouco dinheiro desde que fugiu de casa, onde moram seus pais, influentes na sociedade, e sua irmã, uma patricinha que parece ter saído do motel: toda metidinha.

Com 26 anos, nunca havia namorado ninguém, e são muitos os que falam que ele nunca deu um beijo. Mas pudera, ninguém em sã consciência beijaria um clone mal sucedido do Capitão Caverna. Isso até certo dia, quando Marcelino foi em um show do Pantera, a banda pela qual ele morreria. E foi ao som de This Love que uma linda menina o chamou para conversar. Era mais alta que ele, branquinha, olhos profundamente azuis, uma boneca. Com muito desprezo, ele respondeu às perguntas da garota, que tentou beijá-lo. Marcelino até que beijou a menina, mas foi só a banda começar a tocar Cowboys From Hell que ele gritou alucinadamente, deu uma voadora no peito da garota - que voou no meio da "rodinha" - e começou a bater nos outros. Definitivamente Marcelino era desequilibrado. "Caralho! Pantera! Metal extremo!", gritava o metaleiro.

O show prosseguia, e a cada música Marcelino ficava mais bitolado. Ele havia prometido a si mesmo que ficaria grudado na grade só pra ver a banda da sua vida mais de perto. Mas isso parecia impossível, já que haviam mais de 50.000 pessoas assistindo o show, e o pobre coitado estava lá no meio. "É hoje ou nunca", pensou o feio do cabelo mofado. Jogou-se em cima das pessoas que estavam a sua frente, que empurraram-o para frente. Naquele momento Marcelino sentia-se o Super-Homem. Não importavam os socos que levava no estômago e no saco, afinal, ele estava chegando mais perto do palco. E após ter levado muita porrada, Marcelino chegou na grade. Ele mal podia acreditar que seus ídolos estavam a menos de 3 metros dele. O metaleiro do cabelo ruim era empurrado contra a grade, todos passavam a mão (ou outra coisa) na bunda dele, e ele nem aí, só babava nos solos de Dimebag, o guitarrista. Marcelino gritou e chorou tanto que acabou chamando a atenção de Dimebag, que olhou para o metal-man. "Ele olhou pra mim!!! Ahhhhhh, o Dimebag olhou pra mim!!! Eu te amo, Dimeeee!!!" berrou desesperadamente. Dimebag começou a rir e cuspiu na cara dele. O metaleiro fedido praticamente gozou quando sentiu a baba de Dimebag escorrendo no seu rosto. Aquele era definitivamente o dia mais feliz da vida de Marcelino, que colocou um pouco do cuspe de seu ídolo num copinho de cerveja, e foi feliz da vida para sua casa.

Em casa, despejou o pouco que sobrou da baba numa taça de cristal que havia roubado quando saiu de casa, e colocou-a em cima do armário. Exaltado, chamou todos seu amigos metaleiros para observarem a baba do guitarrista do Pantera. E em volta da taça ficaram, exaltados, observando o cuspe.
-Caralho, olha que cuspe mais metal!
-Olha de perto, parece até que tem um pedaço de catarro!
-Puta merda, podes crer!
-E o cheiro?! Tu sente que tem whisky importado! Fodaço!
Marcelino estava orgulhoso do feito heróico, e acabou fotografando seu objeto de adoração, além de escrever um relatório sobre a cusparada, incluindo até em qual música ela havia atingido seu rosto. E ao terminar seu relatório, Marcelino ficou ainda mais chocado:
-Ouçam isso! A música que estavam tocando quando a baba caiu em mim era 'Floods'. Floods, em inglês, é enchente. Enchente tem água! E a baba tem água! Caraca, é tudo a ver, o Dimebag pensou nisso quando cuspiu em mim!

Maravilhados com a explicação ridícula de Marcelino, puseram-se a escutar a tal música. E ficaram o resto da noite ouvindo o mesmo som, até que dormiram. E assim que amanheceu, Marcelino foi o primeiro a acordar, para mais uma vez admirar sua querida taça. Mas assim que se aproximou do seu prêmio, ficou chocado com o que viu: a taça estava cheia de cuspe e catarro. Era o fim, a baba de Dimebag agora estava impura para sempre. Revoltado, saiu distribuindo pontapés no estômago de seus amigos, querendo saber quem foi o estraga-prazeres. Estranhamente, nenhum dos amigos de Marcelino mexeu-se. Na verdade, estavam todos mortos!

Desesperado, Marcelino tentou sair de casa para procurar ajuda. Em vão: todas as portas e janelas estavam trancadas por fora. O metaleiro fedido encolheu-se num canto e começou a chorar, com medo do que viria a acontecer com sua vida.
-Eu juro que não faço culto ao diabo, eu só gosto das músicas! Eu viro crente, mas me perdoe, Deus!
E enquanto realizava sua penitência, um fantasma saiu de trás do sofá. Marcelino ficou em estado de choque, e nisso o fantasma balbuciou:
-Olá...
Tremendo e com a cueca toda cagada, Marcelino respondeu:
-Que... quem é você?
-Sou um fantasma que só quer vingança...
-Mas eu não te fiz nada! E meus amigos?! O que houve com eles?!
-Sim, fez. Fez adoração à baba e ao catarro... e eu matei seus amigos, morreram engasgados.
-Não!! Desgraçado!!
O fantasma, escarrando na cara de Marcelino, fala:
-Rrrrrrrrrr... desgraçado não, meu nome é Seu Abel.


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Nenhuma mongolice! Que derrota!